Templários Portugueses Convergem em Tomar para Convento Nacional

Templários Portugueses Convergem em Tomar para Convento Nacional

Celebrou-se nos passados dias 29 e 30 de Novembro na cidade de Tomar o Convento Nacional da Ordem Soberana e Militar do Templo de Jerusalém Universal (OSMTHU), reunião magna, o equivalente a uma Convenção, onde os dois ramos da Ordem – o Secular e o Soberano – se encontraram para fazer um balanço do ano de 2025 e projectar o ano de 2026 nas suas dimensões administrativas e litúrgicas. Membros de todo o país, continente e ilhas, convergiram em Tomar, sede espiritual dos Templários Portugueses e luz maior de um trabalho que, no que cabe ao Grão Priorado de Portugal no seu presente ciclo, cobre já mais de três décadas de actividade ininterrupta.

As transformações internacionais têm proporcionado um papel cada vez mais proeminente da observância lusitana do ramo Palaprat da Ordem, ilustradas pela Declaração de Confirmação promulgada durante o Convento. Tem-se igualmente assistido a um aprofundar do trabalho Humanitário através do Templar Corps International, estabelecendo um standard cada vez mais exigente para a Obra ao mundo da Ordem.

Durante o Convento procedeu-se à Armação de mais oito Cavaleiros Seculares, e ainda à Investidura em Funções de Grandes Oficiais e à nomeação de novos Preceptores, levando assim as estruturas da Ordem a todo o território nacional e florescendo já alguns núcleos para lá das nossas fronteiras.

Assim, foram recebidos:

I+ Eduardo Rodrigues, KTJS; I+ Fernando Carlos, KTJS; I+ Evaldo Marinho, KTJS; I+ Domingos Flora, KTJS; I+ António Simões, KTJS; I+ Armando Moreira, KTJS, I+ Nuno Augusto, KTJS e I+ João António Rosa, KTJS.

Para conhecer a composição actual do Grão Priorado de Portugal, pode consultar-se o Decreto respectivo.

As cerimónias litúrgicas decorreram com grande elevação e numerosa adesão. O dia de Santo André, patrono da Escócia e muito relevante no contexto bíblico por representar a transição entre o discipulado do Antigo Testamento e do Novo Testamento, foi igualmente recordado por ser a data de falecimento do poeta Fernando Pessoa, referência incontornável e fonte de meditação para a observância lusitana Templária. Os trabalhos tiveram a suporte espiritual do Bispo Fr+ Luis Teixeira Cardoso, em representação do Patriarca Tau Vincent II, que enviou a seguinte mensagem de saudação:

Ao Grão Priorado de Portugal e a todos os Irmãos e Irmãs do Templo reunidos em Tomar, graça e paz estejam convosco. Nesta festa de Santo André, o Primeiro Chamado, reunis-vos num lugar onde a história, a devoção e a corrente viva do Templo se encontram. André permanece à soleira do Evangelho. É o discípulo que faz a ponte entre o que veio antes e o que ainda está por vir. É aquele que transporta a sabedoria da antiga fé para a aurora da nova aliança. Para aqueles que percorrem o caminho Templário, ele é o Patrono da transição, do exílio, da sobrevivência e da continuidade. As lendas dizem-nos que, quando a Ordem foi atacada, parte da frota Templária partiu da Normandia e encontrou refúgio nas costas da Escócia, como encontrou em Portugal. Se é história ou símbolo, o espírito permanece o mesmo. O aspa de Santo André tornou-se para muitos o sinal de que a obra do Templo jamais poderia ser extinta. Sobreviveu nos corações daqueles que compreenderam que o Templo não é apenas pedra ou estrutura, mas uma chama viva. Sobreviveu através daqueles que levaram a Regra, as virtudes e o encargo sagrado para novas terras e novas gerações.
Nestes dias do vosso Convento, entrais nesse mesmo movimento de continuidade. As deliberações do Conselho Magistral, os planos para o renascimento das Preceptorias e para o trabalho internacional — tudo isto pertence a essa corrente viva. Estais a preservar a estabilidade da Ordem enquanto preparais espaço para o seu crescimento. Esta é precisamente a vocação de Santo André, que permaneceu entre uma era e outra com a clareza de quem escuta o chamamento do Mestre. O octógono que une o aspa de Santo André à cruz grega pattée do Templo não é apenas um traçado geométrico. É o símbolo da ressurreição e da renovação. É a forma do batistério, onde a vida antiga dá lugar à nova vida. É a forma das grandes salas capitulares onde votos eram professados e vidas consagradas. É o sinal do oitavo dia, o dia para além do ciclo do tempo. É o dia em que o Templo se levanta de novo. No Domingo renovareis a vossa fé na celebração litúrgica e honrareis Santo André na Missa. Recordareis o exílio da Ordem e a fidelidade dos que levaram a obra adiante. Recebereis novos irmãos na Ordem e fortalecereis a cadeia de descendência espiritual. Que estes ritos aprofundem a vossa identidade como guardiães do Templo Vivo.
Quero também expressar a minha alegria por saber que estão em curso os planos para o registo formal da Antiga Igreja Templária (Old Templar Church) em Portugal e para o início da formação que preparará novos irmãos para o serviço do altar e para a vida sacramental. Será uma honra para a Igreja caminhar ao vosso lado como pastor e companheiro, fortalecendo o alicerce espiritual que sempre pertenceu ao Templo. Agora, recebei esta bênção: Que Cristo, o Mestre Eterno, guie os vossos passos na verdade. Que o Espírito Santo vos encha de sabedoria, unidade e coragem. Que Santo André, o Primeiro Chamado, vos ensine a ouvir a voz de Deus com um coração pronto. Que a memória dos antepassados Templários que suportaram o exílio e preservaram a chama do Templo inspire o vosso serviço nos dias de hoje. Que o aspa de André e a cruz do Templo formem o octógono de renovação nos vossos corações, para que a Luz confiada a vós resplandeça sem temor. E que o Altíssimo abençoe este Convento em Tomar, as vossas deliberações, as vossas celebrações e todos aqueles que serão recebidos na Ordem. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen. Tau Vincent II, Phillip Garver, Patriarca da Old Templar Church

Os dois dias de intenso trabalho concluíram com um fraternal Jantar de Gala realizado na Sala de Estudos do Convento de Cristo, adjacente ao Claustro dos Corvos. Acompanhados de familiares e convidados, os novos Irmãos e os que militam na Ordem há mais anos, contaram episódios antigos, recordaram a muita da história que entrelaça o Grão Priorado com o Convento de Cristo e a cidade de Tomar, prolongando a noite num agradável convívio.

Ajudou o facto de o dia seguinte ser feriado, recordando-se assim a Restauração e relembrando-se, por extensão, El-Rei D. Sebastião e todo o movimento Sebastianista que tanta substância vem dar ao tema da Cavalaria Espiritual.

Uma jornada transformadora, dois dias de trabalho de preparação para os próximos anos, em que os Projectos apresentados consolidam a trajectória segura e inovadora que o Grão Priorado de Portugal da OSMTHU tem sabido imprimir à lusa observância nos últimos 30 anos.

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